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sexta-feira, 16 de agosto de 2013

A Deusa Interior

Muito se tem estudado a respeito de religiões, o desafio é descobrir a origem das nossas crenças, dos nossos mitos e dogma. Segundo muitas evidências arqueológicas, a primeira religião adotada pelo Homem, foi o culto a Deusa. Estudos mostraram, que eram as mulheres as grandes sacerdotisas da Deusa. Elas desempenhavam os papéis de curandeiras, parteiras, benzedeiras, guardiãs e transmissoras do culto.
O culto à Deusa existiu desde a pré-história, na era paleolítica e através dos milênios, a Deusa adquiriu milhões de nomes, faces e características, representando a natureza. 
A Grande Deusa, foi associada ao Sol, a Lua, às Estrelas, ao Mar, aos Rios, aos Céus entre outros. Com o passar dos séculos e a com evolução da mente humana, adquiriu novas associações e  simbolizou  Amor, Ódio, Calma. Ira, Afeto, Vingança e tantos outros sentimentos. Foi mãe e filha, esposa e concubina, senhora e discípula. Dessa forma, o culto à Deusa pode ser considerada primeira religião da humanidade. Primeiramente dotando-a com a Natureza, simbolicamente a sua Grande Mãe, gerado universal, para logo depois dar a ela, as características e sentimento presentes na feminilidade, a mulher que gera e possibilita uma nova vida.
Com o passar do tempo, a Deusa foi perseguida por adeptos de novas religiões que surgiam, caiu no esquecimento, mas sobreviveu e sempre retorna aos corações humanos que estão em busca da reafirmação do seu Eu.
A Grande Deusa, representa a parte feminina, presente na Natureza e em cada um de nós, no nosso interior. E particularmente, presente no ser feminino,ela é a feminilidade, o âmago, ela é a feminilidade, a autenticidade do modo de ser, pensar, viver, a qualidade e o caráter de cada mulher, a Deusa Interior
A Deusa se faz presente para curar nossos estigmas e dogmas, para nos instruir em direção ao caminho de vínculo absoluto com a vida e reconexão a Natureza.

LIVRARIA CULTURA: A Deusa Interior

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Europa

A lenda de Europa, miscigena-se com a mitologia grega e fenícia.
Europa era uma princesa fenícia, filha de Agenor e Telefasa. Os deuses do Olimpo sabiam da beleza de Europa e tentaram raptá-la muitas vezes, sem êxito. Zeus, o deus supremo, se apaixonou por Europa, ao vê-la passeando com as suas amigas na praia de Sidon, maravilhando-se pela sua beleza. 
Tão grande era o seu amor por ela, que a aproximação, tornou-se uma obsessão para ele, mas bem sabia que ela podia recusá-lo, caso se apresentasse naturalmente. Para isso, pediu ajuda ao seu filho Hermes.
Decidido, transformou-se em um belo touro e juntou-se ao rebanho de Hermes, que conduzia um rebanho, todos os dias, das altas pradarias, até a praia, perto do local onde Europa e outras donzelas de Tiro acudiam para passar as tardes.
Transformado em um touro branco, de feições nobres, com cornos parecidos ao crescente lunar, os quais não infundiam medo algum. Aproximou-se das jovens, saindo do rebanho e prostrando-se aos pés de Europa. 
Primeiramente, a jovem assustou-se, mas logo ganhou confiança. Acariciou a cabeça do maravilhoso animal, e colocou-lhe umas grinaldas de flores, que as outras jovens entrelaçaram entre os cornos. Europa decide então, sentar-se sobre o dorso do animal, confiante e alheia do que a esperava. O touro beijou os pés da jovem, enquanto as suas amigas a adornavam. O animal ergueu-se e sem demora lançou-se ao mar levando consigo Europa. Europa gritou, suplicando à volta, mas o touro nadava furiosamente, afastando-se da costa.
As jovens, que ficaram na praia, surpreendidas pela atitude do touro, acenavam as mãos com desespero e lançaram-se ao mar, com a ajuda dos Ventos, surgindo grupos de divindades marinhas como cortejo. Europa para não cair das costas do touro, agarrau-se aos cornos e após uma longa viagem chegaram a Creta, onde Zeus assumiu novamente a forma humana. 
Desesperados e por ordem do seu pai, os irmãos e a mãe de Europa partiram à sua procura, mas não a encontraram.
Em Creta, na fonte de Gortina, o casal se uniu. Desde aquele dia os plátanos nunca mais perderam as suas folhas no Inverno, dado que serviram para amparar o amor de um deus.
Da união de Zeus e Europa nasceram três filhos: o valente Sarpidon, o justo Radamantes e o legendário Minos, rei de Creta, de cuja família nascerá posteriormente o Minotauro, monstro com cabeça de touro e corpo humano.
Porém, Zeus não podia restringir-se à sua bela Europa, sendo que para a recompensar deu-lhe três presentes. O primeiro foi Talo, o autómato, feito de bronze e que protegia a costa da Ilha de Creta. O segundo foi um cão que nunca ladrava durante as caçadas e conseguia sempre encurralar as suas presas. Por último, entregou-lhe um surpreendente dardo que sempre e sem exceção acertava corretamente no alvo.
Adicionalmente, e para recompensá-la por completo, Zeus fez com que Europa contraísse matrimônio com Asterion, o qual não era estéril e adotou os de Zeus.
Quando Europa morreu foram-lhe concedidas as honras divinas e o touro, a forma na qual Zeus havia raptado Europa, foi convertido na constelação de Tauros e incluído nos signos do Zodíaco.
O pai de Europa, nunca soube o que lhe acontecera, continuou a procurá-la por toda a parte, gritando o seu nome, mas nunca a encontrou. Decidiu então navegar no seu barco mais rápido e procurá-la por toda a Grécia e por todo o continente. O rei gritava desesperado o nome da sua filha, mas Europa não aparecia. A lenda diz que o rei passou por muitos lugares em busca da sua filha, lugares que atualmente são conhecidos como França, Alemanha, Itália e outros países, como as pessoas que habitavam esses locais na antiguidade escutavam em toda a parte o nome de Europa, decidiram chamar assim à terra que hoje em dia, é o continente chamado Europa.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Ostara

Ostara é uma deusa anglo-saxã teutônica da mitilogia nórdica e germânica, seu nome significa a Deusa da Aurora, conhecida também como Eostre, Ostera ou Easter, cujo significado é Páscoa. 
É a deusa da primavera, da ressurreição e do renascimento, tem como símbolo o coelho. Pode ser encontrada também como a Deusa da Pureza, da Juventude e da Beleza. 
O primeiro dia da Primavera, que ocorre em 21 de setembro no hemisfério sul e 21 de Março no hemisfério Norte e as festividades que se celebram o equinócio de primavera, relaciona-se com essa deusa.  As celebrações da Páscoa atual tem forte relação com o paganismo. O inicio da primavera marca a volta do Sol e a época do ano em que dia e noite tem a mesma duração depois do inverno. Para os nórdicos temporâneos à adoração de Ostara, era o despertar da Terra com sentimentos de equilíbrio e renovação. Uma das principais tradições desse festival era a decoração de ovos que representa a fertilidade da Deusa. Outra tradição muito antiga é a de esconder os ovos e depois achá-los. 
Lendas encontradas dão conta de que Ostara tinha uma especial afeição por crianças, porque aonde quer que ela fosse, elas a seguiam e a ela adorava cantar e entretê-las com sua magia. 
Um dia, Ostara estava em um jardim com as crianças, quando um pássaro voou sobre elas e pousou na mão da Deusa. Ao dizer algumas palavras mágicas, o pássaro se transformou no animal favorito de Ostara, um coleho. O que, maravilhou as crianças. Com o passar dos dias, as  crianças repararam que o coelho ficara triste com a transformação, pois não mais podia cantar e nem voar. As crianças pediram a deusa que revertesse o encanto. Ela tentou de tudo, mas não conseguiu desfazer o encantamento. A magia estava feita e poderia ser revertida. A deusa decidiu esperar pelo fim do inverno, pois nesta época do ano seu poder diminuía. O coelho assim permaneceu até a chegada da Primavera. Com os poderes no apogeu, Ostara pode transformar reverter a magia e coelho transformou-se novamente em pássaro, durante algum tempo. Agradecido, o pássaro pôs alguns ovos em homenagem a ela. Em celebração à sua liberdade e às crianças, que tinham pedido a deusa para que ele retornasse a sua forma original, o pássaro, pintou os ovos e os distribuiu pelo mundo.
Para lembrar às pessoas de que não podem interferir no livre-arbítrio de alguém, Ostara entalhou a figura de uma lebre na lua, que pode ser vista até hoje por nós.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Semiramis




Rainha lendária da Assíria, filha da deusa Dérceto ou Dércetis; abandonada pela mãe, tornou-se escrava. Um general de Nino, pressentindo seu génio e fascinado pela beleza da escrava, tomou-a por esposa; o próprio Nino por ela se apaixonou, o qual, antes ficara impressionado com a coragem que a jovem demonstrara por ocasião do ataque dos bactros. Nino, então, fez com que o general a cedesse, e a tomou por esposa.Semíramis de imediato conseguiu poder sem limites sobre seu novo marido; dessa união nasceu um filho, Nínias. Segundo antiga tradição, Semíramis, um dia, pediu ao esposo que lhe confiasse, por um momento, o poder real absoluto; este cedeu aos rogos da esposa e foi logo massacrado.
Seja como for, Semíramis sucedeu a Nino no trono. Engran­deceu, fortificou e embelezou Babilónia; cercou-a de muros tão largos que dois carros podiam cruzar por cima deles tranquilamente; construiu imensas plataformas cobertas de jardins magní­ficos, os chamados "Jardins suspensos da Babilônia", urna ponte sobre o Eufrates, galerias sob o leito do rio e um lago que aco­lhesse as águas excedentes no tempo da cheia. Na Arménia mano dou erguer o famoso Artemita e outras obras não menos impor­tantes que as de Babilónia. Submeteu a Arábia, o Egito, urna parte da Etiópia e da Líbia e só não teve sucesso na expedição que dirigiu contra a tndia. Morreu depois de ter reinado 42 anos; sucedeu-lhe Ninias, seu filho, que, talvez, tenha lhe abre­viado os dias.
Semíramis foi adorada pelos assírios sob a forma de pomba; contava-se que ela tinha sido criada por pombas e que ao morrer subira aos céus sob a forma de uma dessas aves; seu próprio nome significava pomba. Outras tradições referem que Semi­ramis matou o marido e todos os filhos, com exceção de Nínias. 

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Morgana


Morgana representa na lenda arturiana, a figura de uma Deusa Tríplice da morte, da ressureição e do nascimento, incorporando uma jovem e bela donzela, uma vigorosa mãe criadora ou uma bruxa portadora da morte. Sua comunidade consta de um total de nove sacerdotisas (Gliten, Tyrone, Mazoe, Glitonea, Cliten, Thitis, Thetis, Moronoe e Morgana) que, nos tempos romanos, habitavam uma ilha diante das costas da Bretanha. Falam também das nove donzelas que, no submundo galês, vigiam o caldeirão que Artur procura, como pressagiando a procura do Santo Graal. Morgana faz seu debut literário no poema de Godofredo de Monntouth intitulado "Vita Merlini", como feiticeira benigna. Mas sob a pressão religiosa, os autores a convertem em uma irmã bastarda do rei, ambígua, freqüentemente maliciosa, tutelada por Merlim, perturbadora e fonte de problemas.
Nenhum personagem feminino foi tão confusamente descrito e distorcido como Morgana ou Morgan Le Fay. A tradição cristã a apresenta como uma bruxa perversa que seduz seu irmão mais novo, Artur, e dele concebe o filho. Entretanto, nesta época, em outras tribos celtas, como em muitas outras culturas, o sangue real não se misturava e era muito comum casarem irmãos, sem que isso acarretasse o estigma do incesto.
Morgana e Artur tiveram um filho fruto de um Matrimônio Sagrado entre a Deusa (Morgana encarna como Sacerdotisa) e o futuro rei.
O "Matrimônio Sagrado" era um ritual, no qual a vida sexual da mulher era dedicada à própria Deusa através de um ato de prostituição executado no templo. Essas práticas parecem, sob o ponto de vista da nossa experiência puritana, meramente licenciosas. Mas não podemos ignorar que elas faziam parte de uma religião, ou seja, eram um meio de adaptação ao reino interior ou espiritual. Práticas religiosas são baseadas em uma necessidade psicológica. A necessidade interior ou espiritual era aqui projectada no mundo concreto e encontrada através de um ato simbólico Se os rituais de prostituição sagrada fossem examinados sob essa luz, torna-se evidente que todas as mulheres devessem, uma vez na vida, dar-se não a um homem em particular, mas à Deusa, a seu próprio instinto, ao princípio Eros que nela existia. Para a mulher, o significado da experiência devia residir na sua submissão ao instinto, não importando a forma que a experiência lhe acontecesse.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Cibele, A Deusa- Mãe


Cibele, inicialmente cultuada em Anatólia, no Hatti, pelos frígios, foi venerada como A Deusa-Mãe, a mãe de todos os deuses ou adeusa primordial. Sófocles, a chamou de "A Mãe de Tudo"." 
Também conhecida como Deusa dos mortos, da fertilidade, da vida selvagem, da agricultura, da Caçada Mística e, principalmente, do poder de fertilidade da natureza, seu culto começou na Ásia Menor e espalhou-se por diversos territórios gregos, mantendo a popularidade até os romanos, que lhe edificaram um templo no Palatino, tendo, para isso, mandado vir de Pessinunte, em 240 a.C., uma pedra negra que a simbolizava. 


Segundo os gregos, contudo, esta deusa seria apenas uma encarnação de Reia, adorada no monte Cíbele, na Frígia. Ela possui seus próprios Mistérios sagrados, do mesmo modo que as deusas Perséfone e Deméter.
O culto a Cibele tornou-se tão popular que o senado romano, a despeito de sua política permanente de tolerância religiosa, se viu obrigado, em defesa do próprio Estado, a por cabo à observância dos rituais da deusa-mãe. Tal culto incluía manifestações orgíacas, como era próprio dos deuses relacionados com a fertilidade, celebrados pelos Curetes ou Coribantes.
Cibele é representada, frequentemente, com uma coroa de torres, com leões por perto ou num carro puxado por estes animais e está relacionada com a lenda grega de Agdístis e Átis, esse último um deus lunar que usava a lua crescente como uma coroa de uma maneira muito própria, sendo tanto filho como amante de sua mãe Cibele, também conhecida como deusa da Lua.
O Mito de Átis relata que ele estava para se casar com a filha de um rei, quando sua mãe, estando apaixonada por ele, tornou-o louco. Átis, na loucura, ou no êxtase, castrou-se diante de Cibele, causando muita tristeza à Grande Deusa. O pranto de Cibele por Átis lembra a tristeza de Ishtar por Tamuz e a de Afrodite por Adônis.
A montanha, a caverna, os pilares de rocha e rochedos, eram considerados locais luminosos, grande vitalidade pré-orgânica, que foram vivenciados em participação mística com a Grande Mãe, na qualidade de trono, assento, moradia, e como encarnação da própria Deusa.
Ao culto de Cibele foi dada grande proeminência a um elemento especial. O terceiro dia da festa era chamado "dies sanguinis". Nele a expressão emocional por Átis alcançava o máximo. Cantos e lamúrias misturavam-se, e o abandono emocional levava a um auge orgástico. Então, num frenesi religioso, os jovens começavam a se ferir com facas; alguns até executavam o sacrifício último, castrando-se frente à imagem da Deusa e jogando as partes ensanguentadas sobre sua estátua. Outros corriam sangrando pelas ruas e atiravam os órgãos em alguma casa por onde passassem. Esta casa era então obrigada a suprir o jovem com roupas de mulher, pois agora havia se tornado um sacerdote eunuco. Depois da castração usavam cabelos longos e vestiam-se com roupas femininas.
Neste rito sangrante, o lado escuro ou inferior da Grande-Deusa é claramente visto. Ela é verdadeiramente a Destruidora. Mas, muito estranhamente, seus poderes destrutivos parecem ser dirigidos quase que tão somente para os homens. Eles, quando escolhidos, precisavam sacrificar sua virilidade completamente e de uma vez por todas, num êxtase louco onde a dor e a emoção misturavam-se inextricavelmente. Mas...Como diziam os primitivos: "a Lua é destrutiva para os homens, mas é de natureza diferente para as mulheres, apresentando-se como sua patrona e protetora”.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Nekhbet e Wadjet

Nekhbet

O Baixo e o Alto Egito tinham suas divindades tutelares. Enquanto para o Baixo Egito a tutela era de Wadjet ou Wadjit, a do Alto Egito era Nekhbet, uma deusa com a aparência de abutre, com origem no período pré-dinástico, que ajudava nos nascimentos reais e divinos. Seu nome também pode ser grafado Nekhebet, Nekhen ou Nechbet e significa "Aquela de Nekheb". 
Sua representação era a figura um abutre, usando a coroa branca do Alto Egito, com as asas abertas num gesto protetor e segurando em suas garras um símbolo em forma de anel, que representa o conceito de eternidade. Ela também representada como uma mulher, portando a mesma coroa ou um toucado em forma de abutre, também como uma mulher com cabeça de abutre e finalmente, como uma serpente com a coroa branca na cabeça.
O principais centros de culto, eram duas cidades do sul do Alto Egito: Nekheb, a Eileithiyáspolis dos gregos, a moderna el-Kab, situada na margem oriental do Nilo, e Nekhen, a Hieracômpolis dos gregos, atual Kom el-Ahmar, do lado oposto do rio, as quais foram povoações muito importantes durante os períodos pré-dinásticos e dinásticos primitivos, reflexo disso foi a elevação da deusa local à divindade protetora da soberania dos faraós, aparecendo muitas vezes, no diadema real ao lado da serpente Wadjit. Como na máscara mortuária de ouro maciço de Tutankhamon. 
A Branca de Nekhen, como também era chamada, sendo talvez este seu mais importante título, era tida como guardiã de mães e crianças e, juntamente com Wadjit, era uma das duas damas do faraó que apareciam no nome nebty do rei. Esse último título surge pela primeira vez no reinado de Adjib, um faraó da I dinastia (c. 2920 a 2770 a.C.). Aliás, Nekhbet e Wadjet, costumavam aparecer juntas.
Nekhbet aparecia frequentemente em cenas de cultos, nas quais o rei guerreava ou fazia oferenda aos deuses. Em tais casos é mostrada como um abutre sobrevoando a cabeça do faraó e trazendo em suas garras o símbolo de eternidade, a pena da deusa Maat e o mangual real. Também aparecia às vezes como a mãe da natureza divina do rei, amamentando-o. Nesse papel era conhecida como A Grande Vaca Branca de Nekheb, representada com tetas pendentes e vista como deusa protetora do faraó desde sua infância até a morte. Por sua função protetora, era frequentemente representada como um abutre de asas abertas no teto dos templos. Venerada como deusa do nascimento e vista como protetora e nutriz tanto de faraós quanto de deuses, justamente em função desse seu vínculo com o soberano não foi uma divindade muito popular no início da história egípcia. Foi apenas durante o Império Novo (c. 1550 a 1070 a.C.) que o povo começou a adorá-la como protetora de mães, crianças e da hora do parto. Até então ela era especificamente a protetora do faraó.
Da mesma forma que Wadjet no Baixo Egito, venerada como esposa de Hapi, o deus do Nilo, Nekhbet tinha o mesmo papel no Alto Egito. Outra associação à vinculava com a deusa Mut, deusa mãe de Tebas e esposa de Amon, a qual também assumia a forma de abutre. Era o abutre fusco (Gyps fulvus) a espécie particular do animal que usualmente era vinculado às deusas e à realeza. Na lenda que conta as batalhas entre Hórus e Seth, a exemplo do que acontecia com a deusa Wadjet, quando Hórus usou o disco solar alado para procurar e derrotar os aliados de seu inimigo, a deusa Nekhbet o acompanhou sob a forma de uma serpente coroada. Ao ser representada sob a forma de serpente, a divindade também recebia o título de O Olho de Rá.
Ergueu-se em Nekheb um templo dedicado a Nekhbet o qual englobava a casa do nascimento da deusa (mammisi), outros pequenos templos, um lago sagrado e cemitérios. Embora as primeiras construções sejam de um período primitivo, os maiores projetos foram desenvolvidos durante a XVIII dinastia (c. 1550 a 1307 a.C.). Foi também a partir dessa época que aquela divindade começou a ser representada como protetora das mulheres reais e muitas das rainhas principais passaram a usar coroas nas quais se viam pequenas cabeças de abutre, o que identificava a soberana não apenas com Nekhbet, mas também com a deusa mãe Mut. As ruínas que ainda restam do templo, pertencem ao perídodo da XXIX (399 a 380 a.C.) e XXX (380 a 343 a.C.) dinastias, o que mostra que a divindade ali foi venerada por todo o decorrer da história egípcia. Como protetora pessoal do faraó, ela tornou-se símbolo da realeza.

A Deusa Serpente Wadjet, “Aquela que é Verde” era a Deusa protetora do Baixo Egito (Norte), associada à coroa vermelha, símbolo daquela parte das duas terras.


Wadjet

Quado o Egito ainda estava dividido, o Baixo e o Alto Egito, norte e sul respectivamente, o rei do Baixo Egito usava a coroa vermelha e o rei do Alto Egito a coroa branca. Depois da unificação, as duas coroas foram unidas e a branca encaixava-se dentro da vermelha, formando a coroa das Duas Terras, símbolo máximo de todos os governantes do Egito.
Wadjet, a deusa-cobras era representada como uma serpente ou como uma mulher com a cabeça de víbora, especialmente uma Naja. O adorno em forma de serpente que aparece nas coroas dos governantes e de muitos deuses do Egito era uma representação dela. Assim como o abutre na coroa era uma representação de Nekhebet.
Segundo a mitologia egípcia, foi a Wadjet que protegeu Hórus após seu nascimento no pântano de papiros. Ela governava o amuleto Udjat, o Olho de Hórus, que conferia ao portador força física e proteção.
Wadjet alimentava o corpo físico e instila perfeição. Chamada de Senhora da Chama, a Libertadora das Terras, ela é a Deusa da colheita. Wadjet não só protegia o corpo humano, mas também cultivava a saúde dos campos e da terra como um todo.
Junto a Nekhbet, eram conhecids com "As Duas Senhoras".
A palavra Wadjet no antigo Egito significava azul e verde. Era também o nome para "Olho da Lua" ou "Olho de Rá". Era freqüentemente associada ao calor e ao fogo, tendo a capacidade de atear fogo naqueles que atacava, assim como as cobras injetam veneno em suas vítimas. Por este motivo era conhecida também como deusa da guerra.


Tuéris, a Deusa-Hipopótamo


Apesar do panteão egípcio ser vasto e com muitos deuses, existiam também os deuses populares, aqueles que a população mais pobre reverenciava e tiveram a sua importância na cultura daquela antiga civilização.
Tuéris, no Antigo Egito, era a protetora das mulheres grávidas e dos nascimentos. Ela assegurava fertilidade e partos sem perigo. Adorada em Tebas, era representada em inúmeras estátuas e estatuetas sob os traços de um hipopótamo fêmea erguido, portava uma peruca feminina, tinha patas de leão, um ventre generoso de fêmea grávida, mamas pendentes e costas terminadas por uma espécie de cauda de crocodilo. Sua aparência grotesca visava, provavelmente, prevenir contra os espíritos malignos e combinar os poderes terríveis do hipopótamos, do leão e do crocodilo na proteção da mãe e de seu filho. 
Ela simbolizava a fecundidade, sempre velando pelas parturientes e facilitando os nascimentos. Além de amparar as crianças, essa divindade também protegia qualquer pessoa de más influências durante o sono. Os egípcios chamavam-na de A Grande e o termo foi traduzido para Tuéris pelos gregos.
A devoção popular para com os grandes deuses sem dúvida era ponto comum, mas há indícios que as população menos provida e incultas, preferiam se entregar à proteção de divindades mais rústicas e de culto mais simples, que provavelmente se interessariam muito mais por seus modestos interesses. 
O culto popular a Tuéris, A Grande, era um desses, a quem as mulheres grávidas do Egito Antigo se dirigiam pedindo um parto feliz. 
Embora não existissem templos dedicados a ela, há evidencias de que o seu culto fazia parte dos rituais celebrados nos altares domésticos. Além disso, é comum o aparecimento de sua imagem na decoração dos objetos de toalete e de outros de uso familiar, mostrando suas virtudes de protetora, pois ela é terrível quando defende sua prole.
Adorada como a deusa do nascimento e renascimento, acompanhava os mortos, reis ou escravos.
Tuéris foi reverenciadíssima em todos os períodos da história egípcia e em todos os níveis daquela sociedade. Supunha-se, naquela época, que as imagens dos deuses tinham poderes sobrenaturais, que possuir uma simples estatueta já proporcionava o amparo desejado e, assim, os egípcios usavam muitos amuletos para se protegerem. Entre o leque de deuses carregados como amuletos, a deusa Tuéris desempenhava um papel especial. Vários amuletos dessa divindade foram encontrados pelos arqueólogos, inclusive em templos, nos quais eles eram depositados como oferendas votivas. 

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Aine




Aine era uma deusa primária na Irlanda dos celtas, associada ao Solstício de Verão e soberana da terra e do sol, que sobreviveu na forma de uma Fada Rainha. 
O nome de Aine significa prazer, alegria, esplendor.
É irmã gêmea de Grian, a Rainha dos Elfos e era também considerada um dos aspectos da Deusa Mãe dos celtas Ana (Anu, Danu ou Don). Juntas Grian e Aine, alternavam-se como Deusas do Sol Crescente e Minguante da Roda do Ano, trocando de lugar a cada solstício.
Os pagãos acreditavam que na entrada do Solstício de Verão, todos os Povos pequenos vinham a Terra em grande quantidade, pois era um período de grande equilíbrio entre Luz e Trevas. Se estivessem em paz com eles, acreditavam que, ao ficar de pé no centro de um anel-das-fadas seria possível vê-los. Era um período excelente para fazer amizade com as fadas e outros seres do gênero. 
Rainha dos reinos encantados e mulher do Lado, Aine era a Deusa do amor, da fertilidade e do desejo. Era filha de Dannann, e esposa e algumas vezes filha de Manannan Mac Liir, e mãe de Earl Gerald. Como feiticeira poderosa, seus símbolos mágicos eram "A égua vermelha", plantações férteis, o gado e o ganso selvagem.
Existem duas colinas, perto de Lough Gur, consagradas à Deusa, onde ainda hoje ocorrem ritos em honra a fada Aine. Uma, a três milhas a sudoeste, é chamada Knockaine, em homenagem a esta deusa. Nessa colina possui uma pedra que dá inspiração poética a seus devotos meritórios e a loucura à aqueles que são por Ela rejeitados.
Aine, a Deusa-Fada, segundo a tradição celta ajudava os viajantes perdidos nos bosques irlandeses. Diziam que para chamá-la bastava bater três vezes no tronco de uma árvore com flores brancas. Sempre que se sentiam "perdidos".