quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Salmácida, a Ninfa

Dizem que a ocupação das ninfas, era cuidar e banhar-se nos rios, dando a eles o cheiro do seu corpo, o cheiro de natureza e, à noite, deitar-se sob a relva e banhar-se no sereno da noite, para que de seu corpo desprendesse o perfume de grama molhada. As ninfas também eram companheiras de Ártemis  a deusa da caça e se embrenhavam na florestas, com ela, durante as suas caçadas.
Havia uma ninfa chamada Salmácida, também chamada de Salmácis, que cuidava de um rio. Certo dia, depois de banhar-se a noite toda de orvalho e correr para o rio a fim de dar a ele seu cheiro, foi interrompida na sua corrida por suas companheiras, outras ninfas. Diziam elas que Ártemis chamava, para mais uma caçada.
Salmácida, a ninfa mais intransigente da floresta, decidiu não atender o chamado e mandou dizer a Ártemis que não iria e que a matança lhe deixava enojada.
Deu as costas para as outras ninfas e continuo seu caminho em direção ao rio, onde de cima de uma pedra, atirou-se ao mergulho, depois deixou que a correnteza a levasse, deliciando com o carinho da água em seu corpo, até encontrar uma pequena praia.
Dá água ela saiu, livrou-se da pequena túnica, deitou sobre a relva e adormeceu, enquanto os insetos da mata, acariciavam seu corpo. Borboletas, abelhas e libélulas a sobrevoavam, pousavam em seu rosto, em seus seios desnudos e no seu ventre molhado, matavam a sede com as gotas de água sobre a sua pele.
Salmácida acordou assustada, um barulho de água a despertou, ergueu a cabeça e viu alguém banhando-se no rio. Curiosa, ergueu-se mais um pouco, debruçando-se sobre os cotovelos. Com a cabeça esticada, olhando para a outra margem, viu sair da água um belo rapaz, tão lindo, que por ele se apaixonou.
Não querendo assustá-lo, rastejou delicada, com os seios, o vente e a coxas, rentes a relva, até chegar à beira do rio.
Surpresa com a beleza do rapaz, permaneceu algum tempo admirando e depois resolveu ir ao seu encontro.
Rastejando como uma serpente silenciosa, entrou na água e pôs-se a nado, com a destreza de ninfa. Quando ela saiu da água assustou o rapaz, sem dar tempo à ela embrenhou-se na mata. Salmácida saiu da água depressa e correu para dentro da mata também, gritando:
- Espere, não tenha medo!
Sob o pé de um estrondoso carvalho, ela encurralou o rapaz, que se escondia entre os brotos da vegetação rasteira.
- Quem é tu? - perguntou a ninfa.
- Sou Hermafrodito! - respondeu o rapaz.
Oh - pensou a ninfa - por isso é tão belo, o filho de Hermes e Afrodite!
- És muito novo... pareces! - disse a ninfa.
- Nem tanto... és bem mais! - retrucou o filho dos deuses.
- És inexperiente, então!
Aquilo tudo era novo para ela, acostumada com o assédio das criaturas das matas, faunos, sátiros e suas mãos asquerosas, mas nunca alguém havia lhe mostrado medo.
- Não temas, sou Salmácida a ninfa do rio!
E aproximando-se do corpo nu do rapaz, tocou-lhe o peito e ele segurou-lhe a mão.
- Não temas, já disse!
- O que queres de mim?
- Não vou causar-lhe mal algum, afinal quem é a mulher por aqui? Tu ou eu?
- É tu com certeza! - respondeu o rapaz, tentando disfarçar o seu medo.
Fazendo trejeitos de homem mais velho, puxou-a pela mão de encontro ao seu corpo e a agarrou pela cintura. Ela ofereceu-lhe a boca e se beijaram, ainda suados e ofegantes, devido a corrida desbaratada, na qual se embrenharam pela mata. O belo rapaz abraçou-a com força e levantou-a de encontro ao seu corpo, deixando-a sem chão e os pés completamente no ar.
Hermafrodito subiu suas mãos até os seios da bela ninfa, segurou-os e brincou com os mamilos duros entre os seus dedos. A bela ninfa acostumada com o sexo violento e forçado dos seus antigos possuidores asquerosos, entregou-se finalmente a um amor pleno e incendiário.
O jovem filho dos deuses e a bela ninfa se entregaram ao deleite da conjunção carnal e amaram-se de uma forma a qual ela nunca havia provado. Seus corpos unidos chegaram a um orgasmo inimaginável e durante este sublime momento ela, olhando para o céu, gritou com todas as suas forças:
- Oh Deuses... Permitam-me que nunca mais me separe dele!
No mesmo instante, seus lábios fundiram-se em um beijo eterno, peito e seios passaram a portar um único coração, seus sexos uniram-se em um só, capaz de amar homem e mulher.
Tornaram-se os amente apenas um ser, segundo os gregos antigos, um ser perfeito, chamado Hermafrodite.

(Baseado na lenda de Salmácida e Hermafrodite)

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Ankhesenamun, a Grande Esposa Real

Terceira filha de Akhenaton e Nefertiti, como princesa do Egito, ela cresceu na época que a capital do país era a cidade de Amarna. Seu nome original era Ankhesepaaton, nasceu no ano de 1349a.C., na novíssima cidade-jardim de Amarna, a vida era radiante no seu novo e reluzente palácio. Com suas irmãs, ela amadureceu rapidamente. 
Quando Meritaton, sua irmã mais velha, morreu, Ankhesenamun teve assumir seu dever dinástico e casou-se com três parentes: seu pai Akhenaton, seu tio Smenkhare e seu irmão de nove anos Tutancâmon, tornando-se a Grande Esposa Real (como eram chamadas as rainhas do Egito Antigo) 
O casamento com o irmão durou dez anos e pouco antes da morte de Tutancâmon, quando ainda adolescente, tiveram dois filhos, sendo que nenhum deles sobreviveu. 
A essa altura, Ankhesenamun já estava bastante acostumada à consanguinidade, mas também receava o que se reservara para ela.
Durante décadas, a figura sombria de Ay, seu avô materno, por trás do trono, cada vez mais ganhava importância.
Durante os funerais de Tut e enquanto os sacerdotes procediam a mumificação, a jovem viúva sabia que tinha apenas setenta dias para executar seus planos e enviou uma mensagem urgente para Suppliliumas, o rei hitita de Anatólia, ao norte do Egito: 
“Meu marido Tutancâmon faleceu, e não tenho sequer um filho. Ouvi dizer que você tem muitos, poderia enviar-me um para ser meu marido? Nunca aceitarei casar com um dos meus criados”. 
O dos hititas, lisonjeado pelo pedido, porém desconfiado, fez indagações sobre a confiabilidade da proposta, uma vez que os reinos de Anatólia e Egito, eram inimigos seculares.
Enquanto isso, o tempo de luto e embalsamento de Tuancâmon continuava. Desesperada, Ankhesenamun enviou outra mensagem à Suppliliumas:
“Essa correspondência tem a máxima urgência, eu não escrevi para mais ninguém. Mande-me um de seus príncipes imediatamente e eu o farei meu marido e rei do Egito!” 
Finalmente convencido, o rei enviou o Príncipe Zannaza, seu filho mais o jovem príncipe, que foi interceptado e assassinado antes que chegasse ao Egito, confirmando os receios de Ankhesenamun. 
O tempo de luto real se esgotou e casaram-na com um homem de sessenta anos, seu avô Ay, que ela considerava desprezível e inferior, pois apesar do parentesco, era um dos seus súditos.
No funeral de Tut, Ankhesenamun, já casada com Ay, ela colocou uma grinalda de flores sobre a testa do menino-faraó, que foi o último ato documentado de uma garota corajosa, que mesmo na sua juventude, tinha vivido demais.

domingo, 4 de janeiro de 2015

Perséfone Koré

Perserfone, era filha de Zeus e da deusa Deméter. Era cultuada como deusa da feminilidade e da agricultura. Nascida antes do casamento de seu pai com Hera.
Antes de ser raptada pro Hades, Perséfone chamava-se Koré, corresponde à deusa romana Proserpina ou Cora. É conhecida noutros dialetos por vários nomes, entre eles:  Persefassa, Persefatta, Persefoneia, Pherefafa.
Seu nome, Perséfone, significa "Aquela que destrói a luz", enquanto que Koré significa "moça virgem".
Quando os sinais de sua grande beleza e feminilidade começaram a brilhar, em sua adolescência, chamou a atenção do deus Hades que a pediu em casamento. Zeus, sem sequer consultar Deméter, aquiesceu ao pedido de seu irmão. Hades, impaciente, emergiu da terra e raptou-a enquanto ela colhia flores com as ninfas, entre elas Leucipe e Ciana, ou segundo os hinos Homeroicos, a deusa estava também junto de suas irmãs Atena e Ártemis. Hades levou-a para seus domínios (o mundo subterrâneo), desposando-a e fazendo dela sua rainha.
Sua mãe, ficando inconsolável, acabou por se descuidar de suas tarefas: as terras tornaram-se estéreis e houve escassez de alimentos, e Perséfone recusou-se a ingerir qualquer alimento e começou a definhar. Ninguém queria lhe contar o que havia acontecido com sua filha, mas Deméter depois de muito procurar finalmente descobriu através de Hécate (mitologia) e Hélio que a jovem deusa havia sido levada para o mundo dos mortos, e junto com Hermes, foi buscá-la no reino de Hades (ou segundo outras fontes, Zeus ordenou que Hades devolvesse a sua filha). Como entretanto Perséfone tinha comido algo (uma semente de romã) concluiu-se que não tinha rejeitado inteiramente Hades. Assim, estabeleceu-se um acordo, ela passaria metade do ano junto a seus pais, quando seria Koré, a eterna adolescente, e o restante com Hades, quando se tornaria a sombria Perséfone. Este mito justifica o ciclo anual das colheitas.
Perséfone é descrita como uma mulher de olhos escuros por Oppiano,2 , possuidora de uma beleza estonteante, pela qual muitos homens se apaixonaram, entre eles, Pírito e Adônis. Perséfone não foi amante de Adônis mas se "apaixonou" por ele quando ainda era um bebê, pois Afrodite pediu para ela cuidar dele e ela não queria devolver mais. Afrodite se torna rival dela, quer ficar com o menino o tempo todo e depois, quando ele já está adolescente, torna-se amante de Afrodite.
Hades e Perséfone tinham uma relação calma e amorosa. As brigas eram raras, com exceção de quando Hades se sentiu atraído por uma ninfa chamada Menthe, e Perséfone, tomada de ciúmes, transformou a ninfa numa planta, destinada a vegetar nas entradas das cavernas, ou, em outra versão, na porta de entrada do reino dos mortos.3 . Persefone interferia nas decisões de Hades, sempre intercedendo a favor dos heróis e mortais, e sempre estava disposta a receber e atender os mortais que visitavam o reino dos mortos à procura de ajuda. Apesar disso, os gregos a temiam e, salvo exceções, no dia a dia evitavam falar seu nome (Perséfone) chamando-a de Hera infernal.
Entre muitos rituais atribuídos à entidade, cita-se que ninguém poderia morrer sem que a rainha do mundo dos mortos lhe cortasse o fio de cabelo que o ligava à vida. O culto de Perséfone foi muito desenvolvido na Sicília, ela presidia aos funerais. Os amigos ou parentes do morto cortavam os cabelos e os jogavam numa fogueira em honra à deusa infernal. A ela, eram imolados cães, e os gregos acreditavam que Perséfone fazia reencontrar objetos perdidos.
Nos cultos órficos, Dionisio era também amante de Persefone, o deus passava intervalos de tempo na casa da rainha dos mortos, e junto com ela era cultuado nos mistérios orficos como símbolo do renascimento. Conta-se, ainda, que Zeus, o pai da Perséfone, teve amor com a própria filha, sob a forma de uma serpente. Preciosas informações retiradas de antigos textos gregos, citam que Perséfone teve um filho e uma filha com Zeus: Sabázio e Melinoe era de uma habilidade notável, e foi quem coseu Baco na coxa de seu pai. Com Heracles, (Algumas versões citam Zeus ou até mesmo Hades) teve Zagreus, que seria a primeira reencarnação de Dionisio . Perséfone, com Hades, é mãe de Macária, deusa de boa morte.
Apesar de Perséfone ter vários irmãos por parte de seu pai Zeus, tais como Ares, Hermes, Dionísio, Atena, Hebe, Apolo, entre outros, por parte de sua mãe Deméter, tinha um irmão, Pluto, um deus secundário que presidia às riquezas. É um deus pouco conhecido, e muito confundido como Plutão, o deus romano que corresponde a Hades. Tinha também como irmã e irmão, filhos de sua mãe, uma deusa chamada Despina e um eqüino chamado Árion. Despina foi abandonada pela mãe de ambas ao nascer. Por isso ela tinha inveja da deusa do mundo dos mortos, até porque Demeter se excedia em atenções para a rainha. Em resposta, a filha rejeitada destruia tudo que Perséfone e sua mãe amavam, o que resultaria no inverno.
A rainha é representada ao lado de seu marido, num trono de ébano, segurando um facho com fumos negros. A papoula foi-lhe dedicada por ter servido de lenitivo à sua mãe na ocasião de seu rapto. O narciso também lhe é dedicado, pois estava colhendo esta flor quando foi surpreendida e raptada por Hades. A ela também eram associadas as serpentes.

LIVRARIA CULTURA: Perséfone e Demeter

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

A Deusa Interior

Muito se tem estudado a respeito de religiões, o desafio é descobrir a origem das nossas crenças, dos nossos mitos e dogma. Segundo muitas evidências arqueológicas, a primeira religião adotada pelo Homem, foi o culto a Deusa. Estudos mostraram, que eram as mulheres as grandes sacerdotisas da Deusa. Elas desempenhavam os papéis de curandeiras, parteiras, benzedeiras, guardiãs e transmissoras do culto.
O culto à Deusa existiu desde a pré-história, na era paleolítica e através dos milênios, a Deusa adquiriu milhões de nomes, faces e características, representando a natureza. 
A Grande Deusa, foi associada ao Sol, a Lua, às Estrelas, ao Mar, aos Rios, aos Céus entre outros. Com o passar dos séculos e a com evolução da mente humana, adquiriu novas associações e  simbolizou  Amor, Ódio, Calma. Ira, Afeto, Vingança e tantos outros sentimentos. Foi mãe e filha, esposa e concubina, senhora e discípula. Dessa forma, o culto à Deusa pode ser considerada primeira religião da humanidade. Primeiramente dotando-a com a Natureza, simbolicamente a sua Grande Mãe, gerado universal, para logo depois dar a ela, as características e sentimento presentes na feminilidade, a mulher que gera e possibilita uma nova vida.
Com o passar do tempo, a Deusa foi perseguida por adeptos de novas religiões que surgiam, caiu no esquecimento, mas sobreviveu e sempre retorna aos corações humanos que estão em busca da reafirmação do seu Eu.
A Grande Deusa, representa a parte feminina, presente na Natureza e em cada um de nós, no nosso interior. E particularmente, presente no ser feminino,ela é a feminilidade, o âmago, ela é a feminilidade, a autenticidade do modo de ser, pensar, viver, a qualidade e o caráter de cada mulher, a Deusa Interior
A Deusa se faz presente para curar nossos estigmas e dogmas, para nos instruir em direção ao caminho de vínculo absoluto com a vida e reconexão a Natureza.

LIVRARIA CULTURA: A Deusa Interior

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Europa

A lenda de Europa, miscigena-se com a mitologia grega e fenícia.
Europa era uma princesa fenícia, filha de Agenor e Telefasa. Os deuses do Olimpo sabiam da beleza de Europa e tentaram raptá-la muitas vezes, sem êxito. Zeus, o deus supremo, se apaixonou por Europa, ao vê-la passeando com as suas amigas na praia de Sidon, maravilhando-se pela sua beleza. 
Tão grande era o seu amor por ela, que a aproximação, tornou-se uma obsessão para ele, mas bem sabia que ela podia recusá-lo, caso se apresentasse naturalmente. Para isso, pediu ajuda ao seu filho Hermes.
Decidido, transformou-se em um belo touro e juntou-se ao rebanho de Hermes, que conduzia um rebanho, todos os dias, das altas pradarias, até a praia, perto do local onde Europa e outras donzelas de Tiro acudiam para passar as tardes.
Transformado em um touro branco, de feições nobres, com cornos parecidos ao crescente lunar, os quais não infundiam medo algum. Aproximou-se das jovens, saindo do rebanho e prostrando-se aos pés de Europa. 
Primeiramente, a jovem assustou-se, mas logo ganhou confiança. Acariciou a cabeça do maravilhoso animal, e colocou-lhe umas grinaldas de flores, que as outras jovens entrelaçaram entre os cornos. Europa decide então, sentar-se sobre o dorso do animal, confiante e alheia do que a esperava. O touro beijou os pés da jovem, enquanto as suas amigas a adornavam. O animal ergueu-se e sem demora lançou-se ao mar levando consigo Europa. Europa gritou, suplicando à volta, mas o touro nadava furiosamente, afastando-se da costa.
As jovens, que ficaram na praia, surpreendidas pela atitude do touro, acenavam as mãos com desespero e lançaram-se ao mar, com a ajuda dos Ventos, surgindo grupos de divindades marinhas como cortejo. Europa para não cair das costas do touro, agarrau-se aos cornos e após uma longa viagem chegaram a Creta, onde Zeus assumiu novamente a forma humana. 
Desesperados e por ordem do seu pai, os irmãos e a mãe de Europa partiram à sua procura, mas não a encontraram.
Em Creta, na fonte de Gortina, o casal se uniu. Desde aquele dia os plátanos nunca mais perderam as suas folhas no Inverno, dado que serviram para amparar o amor de um deus.
Da união de Zeus e Europa nasceram três filhos: o valente Sarpidon, o justo Radamantes e o legendário Minos, rei de Creta, de cuja família nascerá posteriormente o Minotauro, monstro com cabeça de touro e corpo humano.
Porém, Zeus não podia restringir-se à sua bela Europa, sendo que para a recompensar deu-lhe três presentes. O primeiro foi Talo, o autómato, feito de bronze e que protegia a costa da Ilha de Creta. O segundo foi um cão que nunca ladrava durante as caçadas e conseguia sempre encurralar as suas presas. Por último, entregou-lhe um surpreendente dardo que sempre e sem exceção acertava corretamente no alvo.
Adicionalmente, e para recompensá-la por completo, Zeus fez com que Europa contraísse matrimônio com Asterion, o qual não era estéril e adotou os de Zeus.
Quando Europa morreu foram-lhe concedidas as honras divinas e o touro, a forma na qual Zeus havia raptado Europa, foi convertido na constelação de Tauros e incluído nos signos do Zodíaco.
O pai de Europa, nunca soube o que lhe acontecera, continuou a procurá-la por toda a parte, gritando o seu nome, mas nunca a encontrou. Decidiu então navegar no seu barco mais rápido e procurá-la por toda a Grécia e por todo o continente. O rei gritava desesperado o nome da sua filha, mas Europa não aparecia. A lenda diz que o rei passou por muitos lugares em busca da sua filha, lugares que atualmente são conhecidos como França, Alemanha, Itália e outros países, como as pessoas que habitavam esses locais na antiguidade escutavam em toda a parte o nome de Europa, decidiram chamar assim à terra que hoje em dia, é o continente chamado Europa.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Ostara

Ostara é uma deusa anglo-saxã teutônica da mitilogia nórdica e germânica, seu nome significa a Deusa da Aurora, conhecida também como Eostre, Ostera ou Easter, cujo significado é Páscoa. 
É a deusa da primavera, da ressurreição e do renascimento, tem como símbolo o coelho. Pode ser encontrada também como a Deusa da Pureza, da Juventude e da Beleza. 
O primeiro dia da Primavera, que ocorre em 21 de setembro no hemisfério sul e 21 de Março no hemisfério Norte e as festividades que se celebram o equinócio de primavera, relaciona-se com essa deusa.  As celebrações da Páscoa atual tem forte relação com o paganismo. O inicio da primavera marca a volta do Sol e a época do ano em que dia e noite tem a mesma duração depois do inverno. Para os nórdicos temporâneos à adoração de Ostara, era o despertar da Terra com sentimentos de equilíbrio e renovação. Uma das principais tradições desse festival era a decoração de ovos que representa a fertilidade da Deusa. Outra tradição muito antiga é a de esconder os ovos e depois achá-los. 
Lendas encontradas dão conta de que Ostara tinha uma especial afeição por crianças, porque aonde quer que ela fosse, elas a seguiam e a ela adorava cantar e entretê-las com sua magia. 
Um dia, Ostara estava em um jardim com as crianças, quando um pássaro voou sobre elas e pousou na mão da Deusa. Ao dizer algumas palavras mágicas, o pássaro se transformou no animal favorito de Ostara, um coleho. O que, maravilhou as crianças. Com o passar dos dias, as  crianças repararam que o coelho ficara triste com a transformação, pois não mais podia cantar e nem voar. As crianças pediram a deusa que revertesse o encanto. Ela tentou de tudo, mas não conseguiu desfazer o encantamento. A magia estava feita e poderia ser revertida. A deusa decidiu esperar pelo fim do inverno, pois nesta época do ano seu poder diminuía. O coelho assim permaneceu até a chegada da Primavera. Com os poderes no apogeu, Ostara pode transformar reverter a magia e coelho transformou-se novamente em pássaro, durante algum tempo. Agradecido, o pássaro pôs alguns ovos em homenagem a ela. Em celebração à sua liberdade e às crianças, que tinham pedido a deusa para que ele retornasse a sua forma original, o pássaro, pintou os ovos e os distribuiu pelo mundo.
Para lembrar às pessoas de que não podem interferir no livre-arbítrio de alguém, Ostara entalhou a figura de uma lebre na lua, que pode ser vista até hoje por nós.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Semiramis




Rainha lendária da Assíria, filha da deusa Dérceto ou Dércetis; abandonada pela mãe, tornou-se escrava. Um general de Nino, pressentindo seu génio e fascinado pela beleza da escrava, tomou-a por esposa; o próprio Nino por ela se apaixonou, o qual, antes ficara impressionado com a coragem que a jovem demonstrara por ocasião do ataque dos bactros. Nino, então, fez com que o general a cedesse, e a tomou por esposa.Semíramis de imediato conseguiu poder sem limites sobre seu novo marido; dessa união nasceu um filho, Nínias. Segundo antiga tradição, Semíramis, um dia, pediu ao esposo que lhe confiasse, por um momento, o poder real absoluto; este cedeu aos rogos da esposa e foi logo massacrado.
Seja como for, Semíramis sucedeu a Nino no trono. Engran­deceu, fortificou e embelezou Babilónia; cercou-a de muros tão largos que dois carros podiam cruzar por cima deles tranquilamente; construiu imensas plataformas cobertas de jardins magní­ficos, os chamados "Jardins suspensos da Babilônia", urna ponte sobre o Eufrates, galerias sob o leito do rio e um lago que aco­lhesse as águas excedentes no tempo da cheia. Na Arménia mano dou erguer o famoso Artemita e outras obras não menos impor­tantes que as de Babilónia. Submeteu a Arábia, o Egito, urna parte da Etiópia e da Líbia e só não teve sucesso na expedição que dirigiu contra a tndia. Morreu depois de ter reinado 42 anos; sucedeu-lhe Ninias, seu filho, que, talvez, tenha lhe abre­viado os dias.
Semíramis foi adorada pelos assírios sob a forma de pomba; contava-se que ela tinha sido criada por pombas e que ao morrer subira aos céus sob a forma de uma dessas aves; seu próprio nome significava pomba. Outras tradições referem que Semi­ramis matou o marido e todos os filhos, com exceção de Nínias. 

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Morgana


Morgana representa na lenda arturiana, a figura de uma Deusa Tríplice da morte, da ressureição e do nascimento, incorporando uma jovem e bela donzela, uma vigorosa mãe criadora ou uma bruxa portadora da morte. Sua comunidade consta de um total de nove sacerdotisas (Gliten, Tyrone, Mazoe, Glitonea, Cliten, Thitis, Thetis, Moronoe e Morgana) que, nos tempos romanos, habitavam uma ilha diante das costas da Bretanha. Falam também das nove donzelas que, no submundo galês, vigiam o caldeirão que Artur procura, como pressagiando a procura do Santo Graal. Morgana faz seu debut literário no poema de Godofredo de Monntouth intitulado "Vita Merlini", como feiticeira benigna. Mas sob a pressão religiosa, os autores a convertem em uma irmã bastarda do rei, ambígua, freqüentemente maliciosa, tutelada por Merlim, perturbadora e fonte de problemas.
Nenhum personagem feminino foi tão confusamente descrito e distorcido como Morgana ou Morgan Le Fay. A tradição cristã a apresenta como uma bruxa perversa que seduz seu irmão mais novo, Artur, e dele concebe o filho. Entretanto, nesta época, em outras tribos celtas, como em muitas outras culturas, o sangue real não se misturava e era muito comum casarem irmãos, sem que isso acarretasse o estigma do incesto.
Morgana e Artur tiveram um filho fruto de um Matrimônio Sagrado entre a Deusa (Morgana encarna como Sacerdotisa) e o futuro rei.
O "Matrimônio Sagrado" era um ritual, no qual a vida sexual da mulher era dedicada à própria Deusa através de um ato de prostituição executado no templo. Essas práticas parecem, sob o ponto de vista da nossa experiência puritana, meramente licenciosas. Mas não podemos ignorar que elas faziam parte de uma religião, ou seja, eram um meio de adaptação ao reino interior ou espiritual. Práticas religiosas são baseadas em uma necessidade psicológica. A necessidade interior ou espiritual era aqui projectada no mundo concreto e encontrada através de um ato simbólico Se os rituais de prostituição sagrada fossem examinados sob essa luz, torna-se evidente que todas as mulheres devessem, uma vez na vida, dar-se não a um homem em particular, mas à Deusa, a seu próprio instinto, ao princípio Eros que nela existia. Para a mulher, o significado da experiência devia residir na sua submissão ao instinto, não importando a forma que a experiência lhe acontecesse.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Cibele, A Deusa- Mãe


Cibele, inicialmente cultuada em Anatólia, no Hatti, pelos frígios, foi venerada como A Deusa-Mãe, a mãe de todos os deuses ou adeusa primordial. Sófocles, a chamou de "A Mãe de Tudo"." 
Também conhecida como Deusa dos mortos, da fertilidade, da vida selvagem, da agricultura, da Caçada Mística e, principalmente, do poder de fertilidade da natureza, seu culto começou na Ásia Menor e espalhou-se por diversos territórios gregos, mantendo a popularidade até os romanos, que lhe edificaram um templo no Palatino, tendo, para isso, mandado vir de Pessinunte, em 240 a.C., uma pedra negra que a simbolizava. 


Segundo os gregos, contudo, esta deusa seria apenas uma encarnação de Reia, adorada no monte Cíbele, na Frígia. Ela possui seus próprios Mistérios sagrados, do mesmo modo que as deusas Perséfone e Deméter.
O culto a Cibele tornou-se tão popular que o senado romano, a despeito de sua política permanente de tolerância religiosa, se viu obrigado, em defesa do próprio Estado, a por cabo à observância dos rituais da deusa-mãe. Tal culto incluía manifestações orgíacas, como era próprio dos deuses relacionados com a fertilidade, celebrados pelos Curetes ou Coribantes.
Cibele é representada, frequentemente, com uma coroa de torres, com leões por perto ou num carro puxado por estes animais e está relacionada com a lenda grega de Agdístis e Átis, esse último um deus lunar que usava a lua crescente como uma coroa de uma maneira muito própria, sendo tanto filho como amante de sua mãe Cibele, também conhecida como deusa da Lua.
O Mito de Átis relata que ele estava para se casar com a filha de um rei, quando sua mãe, estando apaixonada por ele, tornou-o louco. Átis, na loucura, ou no êxtase, castrou-se diante de Cibele, causando muita tristeza à Grande Deusa. O pranto de Cibele por Átis lembra a tristeza de Ishtar por Tamuz e a de Afrodite por Adônis.
A montanha, a caverna, os pilares de rocha e rochedos, eram considerados locais luminosos, grande vitalidade pré-orgânica, que foram vivenciados em participação mística com a Grande Mãe, na qualidade de trono, assento, moradia, e como encarnação da própria Deusa.
Ao culto de Cibele foi dada grande proeminência a um elemento especial. O terceiro dia da festa era chamado "dies sanguinis". Nele a expressão emocional por Átis alcançava o máximo. Cantos e lamúrias misturavam-se, e o abandono emocional levava a um auge orgástico. Então, num frenesi religioso, os jovens começavam a se ferir com facas; alguns até executavam o sacrifício último, castrando-se frente à imagem da Deusa e jogando as partes ensanguentadas sobre sua estátua. Outros corriam sangrando pelas ruas e atiravam os órgãos em alguma casa por onde passassem. Esta casa era então obrigada a suprir o jovem com roupas de mulher, pois agora havia se tornado um sacerdote eunuco. Depois da castração usavam cabelos longos e vestiam-se com roupas femininas.
Neste rito sangrante, o lado escuro ou inferior da Grande-Deusa é claramente visto. Ela é verdadeiramente a Destruidora. Mas, muito estranhamente, seus poderes destrutivos parecem ser dirigidos quase que tão somente para os homens. Eles, quando escolhidos, precisavam sacrificar sua virilidade completamente e de uma vez por todas, num êxtase louco onde a dor e a emoção misturavam-se inextricavelmente. Mas...Como diziam os primitivos: "a Lua é destrutiva para os homens, mas é de natureza diferente para as mulheres, apresentando-se como sua patrona e protetora”.